segunda-feira, junho 21

Para se recolher


Três pequenos botões
Caíram de meu paletó
Mal sabia eu
Que eras tu ao ver-me só
Caída ao chão, debruçada ao ladrilho
Daquela varanda apertada no qual me vem poucas lembranças
Como a de quando pegou minha mão
Ao se deitar comigo naquele frio
E pôs aqueles minúsculos objetos
E inclinou-se em direção
A mim
Que sentiu um desabrochar em todo o corpo
Um pedaço do céu
Como foi o beijo escondido
Debaixo do meu cabelo
E por cima do ladrilho
Aonde três botões caíram
E dois se envolveram

sábado, junho 19

Para desabafar

   Há dois dias atrás pensei em você. Mas de um jeito estranho, impossível de descrever. Éramos tão perfeitos com nossos olhos e olhares, desajeitados com a tristeza e falar com o coração. Acima de nós, tudo tão azul e iluminado como água refletindo o céu. E a minha cabeça sobe às nuvens, baila as canções brasileiras de bossa nova que tanto canto dentro de mim. Mas pra quê falar? No silêncio e mistério, se ao menos te enxergo, escuto tudo o que quiser. Já que não há palavras para dizer sobre como pensei em você. Estranho, por nunca esperar isso de mim e a surpresa vir junto com aquele frio que sobe e nos faz rir à toa, e nos faz ver tudo tão - posso dizer? - perfeito. Como nós.
   Por alguns minutos pensei, por dois dias repensei, e por agora posso escrever o porquê. É seu jeito sereno, (sinto-me lendo aquelas memórias de apaixonados para me tornar um) ou de levar-me a paisagens que transmitem prosa e poesia de uma só vez. Volto até aquela época em que se recebia cartas de amor, e que beijos eram palavras secretas que traduziam-se em rodas-gigantes ou sombras de árvores. E o tempo contribui para minha imaginação comprida, que se desequilibra do normal ao sentir que meninos com você, ainda estão por aí, procurando fitas de amarrar cabelo e olhos ingênuos para derramarem lágrimas e sorrirem ao lhes ver.

sexta-feira, junho 18

Para quem esqueci

Ah, então
Pára de me olhar
Desse jeito meigo, sorrindo ao suspirar
Assim eu fico tonta, tonta como o ar
Com minhas próprias frases
Com nossas próprias mãos
Que me estremesse em parte
Que dançam a canção

Ah, não
Me diga você
Se com esse jeito meigo, encanta o meu viver
Senta aqui comigo, veja o amor crescer
Veja nuvens roxas
Veja-me beijar
O canto da tua boca
O amanhã vai começar

Ah, João
Vai me esquecer?

quinta-feira, abril 29

Para quem desejar


Vem
Vamos namorar, ver o Sol raiar
Escrever cartas de um amor sem fim
Deixa a saudade ficar
Para poder pensar em mim
Vem, vamos para o Arpoador
Recitar um poema, colher uma flor
Quebra o compasso, no meu abraço e calor
E enquanto nossa canção não vem
Só você comigo, cai bem